nov 27, 2017
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São Bernardo completa 73 anos de Emancipação

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Em 1938, o país vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas. O ditador nomeava os interventores estaduais e lhes dava plenos poderes para rebaixar municípios a distritos, elevar estes à condição de cidade e para nomear prefeitos. Em 30 de novembro de 1938, depois de uma articulação de políticos andreenses, o interventor estadual Ademar de Barros assinou um decreto transferindo a sede do município de São Bernardo para Santo André, sendo a antiga Vila de São Bernardo rebaixada a mero distrito. Descontentes com a humilhante situação enfrentada pela cidade, um grupo que reunia empresários, comerciantes, profissionais liberais, funcionários públicos, operários e populares começou a se reunir para discutir a emancipação de São Bernardo. Visando ganhar força política junto ao governo federal, o grupo procurou o banqueiro Wallace C. Simonsen, proprietário de uma chácara na cidade (hoje conhecida como Chácara Silvestre) e empresário de prestígio nacional, que aceitou participar do movimento. Em maio de 1943, sob a liderança de Wallace C. Simonsen, aconteceu a fundação da Sociedade dos Amigos de São Bernardo. Aproveitando-se de uma reforma administrativa visando a criação de municípios em todo o estado, que a época estava sendo planejada pelo governo estadual, o grupo solicitou a emancipação do então distrito de São Bernardo, alegando que o crescimento local – em termos de contingente populacional, arrecadação de impostos, etc – era suficiente para justificar o pedido. Graças à persistência desse grupo e à influência política de Wallace C. Simonsen, o decreto-lei 14.334 de 30/11/1944, que estabelecia a nova divisão político-administrativa do Estado e São Paulo, elevou novamente o distrito de São Bernardo à categoria de município. No dia 1° de Janeiro de 1945, o novo município foi instalado, agora com o denominativo “do Campo” agregado ao nome “São Bernardo”. Wallace C. Simonsen foi nomeado prefeito e governou a cidade até 1947. A industrialização de São Bernardo e a transformação em metrópole. A inauguração da Via Anchieta, em 1947, marca o início de uma fase de acelerado crescimento em São Bernardo. Incentivadas pelas facilidades logísticas proporcionadas pela estrada, pela presença de mão de obra razoavelmente qualificada na região e também por alguns incentivos fiscais concedidos, um grande número de empresas estrangeiras se instala na cidade. Em consequência da vinda de gigantescas indústrias automobilísticas como a Ford, Scania e Volkswagen e de múltiplas fábricas de autopeças como a Perkins, Gemmer e Mangels, a cidade converte-se, nas décadas de 50, 60 e 70, num dos principais polos industriais do país, atraindo enorme contingente de mão de obra que elas absorviam (contingente este que aumentava exponencialmente com a chegada de migrantes de várias regiões do país). Paralelamente ao crescimento industrial e urbano, desenvolveu-se na cidade um sindicalismo fortemente organizado e com grande poder reivindicatório, o que levou São Bernardo, durante as crises econômicas do final dos anos 70 e início dos 80, a ser o palco de alguns dos mais incisivos movimentos grevistas já ocorridos na história do país. Na década de 90, a cidade foi afetada pelo impacto das grandes alterações ocorridas na economia mundial. A abertura comercial e o acirramento da competição internacional impulsionaram transformações estruturais no mercado de trabalho e na organização da produção (que já se delineavam nas décadas anteriores). Em São Bernardo, o setor industrial perdeu parcela de sua importância, ao mesmo tempo em que cresceu o setor de serviços e a economia informal. A São Bernardo contemporânea, que em 2010 já possuía 746 mil habitantes, conta com os problemas próprios das grandes metrópoles, tais como a violência, a poluição e o déficit habitacional, todos inimagináveis décadas atrás. Por outro lado, alguns dados que mensuram o desenvolvimento humano da cidade apontam outra faceta deste processo: em 1970, a expectativa de vida que um indivíduo tinha em São Bernardo era de 52 anos, hoje ela passa dos 70 anos. A mortalidade infantil caiu mais de 10 vezes no mesmo período e simultaneamente houve um intenso crescimento da escolaridade média.

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