jun 18, 2021
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Em 12 meses, etanol fica 75% mais caro nos postos de combustível do ABC

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Os proprietários de veí­culos flex acostumaram-se a abas­­te­cê-los com etanol entre abril e dezembro, quando a safra de cana de açúcar derruba os pre­ços do renovável nos postos de com­bustível. Po­rém, não é o que ocorre neste ano. O valor do produto não para de subir nas bombas, a pon­to de a gasolina ser mais van­ta­josa na hora de abastecer, mesmo com a disparada do petróleo no mercado internacional.

Na semana passada, o etanol era vendido, em média, a R$ 4,219 o litro nos estabele­cimentos do ABC, valor 37,4% superior ao apurado no final de dezembro (R$ 3,071), segun­do pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com dados compilados pelo Diário Regional. Em 12 meses, a al­ta acumulada chega a 75,1%.

Ainda segundo a ANP, o combustível variou entre o preço mínimo de R$ 3,949 (encontrado em postos localizados em Santo André) e o máximo de R$ 4,699 (São Caetano).

Em termos nominais (sem considerar a inflação), o valor médio apu­rado na semana pas­­sada é o maior da série his­tórica da pesquisa da ANP. Em ter­mos reais, trata-se de patamar mais alto, por exemplo, que o de maio de 2018 (R$ 3,228), quando a gre­­ve dos caminho­neiros interrom­peu por dez dias o abastecimento de combustível nos postos e elevou os preços às alturas.

O economista e coordenador do curso de Adminis­tra­ção do Instituto Mauá de Tecno­logia (IMT), Ricardo Ba­­listiero, lembra que esse ce­nário é muito parecido com o vivido na década de 1980.

“Na época, o governo apostou suas fichas nos carros a álcool devido ao elevado preço da gasolina, mas depois (a estratégia) não deu muito certo porque havia falta do produto. Atualmente, os preços estão altos devido à estiagem, pois a produção de cana de açúcar não veio de forma consistente (na atual safra) e, por isso, ocorreu um problema de oferta e demanda que fez os preços subirem. Além disso, como o açúcar está em alta no exterior, os usineiros têm preferido canalizar a produção para exportação a produzir etanol”, explicou Balistiero.

Nas usinas paulistas, o etanol era vendido na semana pas­sada a R$ 3,0004 o litro (valor sem impostos), segundo pa­tamar nominal mais alto da história – atrás apenas dos 3,0488 apurados em meados de maio, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Eco­nomia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq).

Em relatório, o Cepea/E­salq explica que a demanda por eta­nol nas usinas paulistas enfra­queceu nas úl­timas semanas, devido à perda de competitividade do renová­vel nos pos­tos. Porém, os preços no ataca­­do continuam praticamente está­veis, uma vez que a produção ain­da não deslanchou.

COMPETITIVIDADE

A gasolina, por sua vez, era comercializada, em média, por R$ 5,407 o litro no ABC na semana passada. O valor é 0,42% inferior aos R$ 5,430 apurados no levantamento anterior, maior patamar nominal da his­tória da pesquisa da ANP.

Mesmo assim, a gasolina segue mais vantajosa nos pos­tos da região, já que a pari­dade entre os preços do etanol e do derivado do petróleo está em 78,0%. Segundo a ANP, para que o renovável seja competitivo, a paridade precisa ser inferior a 70,0%. A gasolina é vantajosa quando a relação é superior a 70,4%.

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