ago 18, 2018
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Hospital São Caetano: O Zumbi da Rua Espírito Santo

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Completa este mês o oitavo ano do fechamento do H. São Caetano, ícone da Saúde das últimas décadas do século passado no grande ABC. Mais de 8000 vidas que contavam com cerca de 150 leitos e um atendimento médico de bom padrão, viram-se subitamente desamparadas. O imbróglio jurídico que se tornou a massa falida de 7000m2 de construção em terreno de quase 10000m2, nunca se desfez ao longo desse tempo, mantendo em um dos pontos mais valorizados da cidade um prédio que tristemente se deteriora aos olhos saudosistas da população. O arrendamento da prefeitura, que ocupa o térreo, o primeiro andar e o velório com a capela, mantém as aparências e serve, atualmente, como Pronto Socorro provisório durante a reforma do Albert Sabin. Tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio, o conjunto resistiu aos leilões judiciais devido à obrigatoriedade de servir apenas como equipamento de saúde. Estamos na 3ª gestão municipal após o fechamento, sem ter uma solução que venha beneficiar àqueles que não podem mais (ou nunca puderam) pagar a exorbitância de um plano de saúde. A atual gestão acenou nestes dias, pela mídia, com a compra do espólio. Esperamos que esta intenção se concretize, realmente, para além do momento político. A inauguração do Hospital São Luiz, no bairro Cerâmica, com cerca de 300 leitos, contemplou a cidade com um equipamento de alto padrão de hotelaria, moderna concepção funcional e alta resolutividade, que há muito se fazia necessário no município. Entretanto, para os usuários do SUS, continuamos carentes de vagas para casos de maior complexidade, nó górdio para toda gestão pública em Saúde devido ao alto custo. De qualquer forma, e antes que seja muito tarde, urge a recuperação física do HSC mesmo que para atendimentos menos especializados e onerosos, devolvendo aos munícipes de maior vulnerabilidade social o conforto de ser tratado em sua própria cidade. Sei das dificuldades de se desenrolar este novelo embaraçado, de exumar o cadáver do HSC, pois várias vezes abordei este assunto e participei das tentativas ocorridas durante meu mandato de vereador, até por gratidão e respeito aos 36 anos em que atuei no seu corpo clínico. Talvez um final feliz desta novela extrapole a competência da administração municipal e requeira ações junto ao Estado e à Federação. Inadmissível aqui é a inércia e o descaso, fazendo com que seja bem-vinda toda iniciativa que viabilize a sustentabilidade de mais um equipamento público. O destino do Hospital São Caetano precisa ser decidido em uma audiência pública, após a posse do prédio. Na circunstância atual, o zumbi da rua Espírito Santo, excetuando o segmento ativo, serve apenas para denegrir um passado de excelência em Saúde e julgar negativamente a capacidade dos nossos gestores.

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