jun 2, 2020
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No Grande ABC, quarentena altera venda de pequeno produtor urbano

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A pandemia do novo coronavírus alterou a rotina de diversos setores da economia. E não foi diferente com os pequenos agricultores urbanos. No Grande ABC, os produtores encaram cenários diferentes: enquanto alguns sentiram aumento na demanda, outros viram as vendas caírem. Além de plantação totalmente orgânica, eles têm em comum o prazer pela atividade.

Um deles é Vanderlei Pereira da Silva, 54 anos, proprietário de horta em terreno da Enel na Vila Pires, em Santo André. “Na quarentena, a venda cresceu muito, pelo menos 50% e, pela maioria da clientela ser idosa, prefere evitar tumulto de mercados, da feira, e gostam de produtos mais saudáveis, sem veneno (agrotóxicos)”, explicou.

De domingo a domingo, Silva mantém a plantação e a venda das verduras com o auxílio da mulher, das duas filhas e de dois funcionários, sendo que um deles foi efetivado em razão do aumento da demanda na quarentena. Faturando média de R$ 7.000 por mês, esta não é a primeira plantação que ele cuida. “Na verdade, sou químico industrial, mas desde criança tenho contato com horta. Por um tempo, fiquei com duas (hortas em Santo André), porém, vendi a outra e fiquei só com esta porque a demanda estava muito grande, eu não dava conta.”

Para se ter ideia do volume produzido, pelo menos 7.800 mudas foram plantadas na última semana. O segredo para o sucesso é o carinho. “A coisa que mais adoro é mexer com plantação e estou sempre me atualizando, pois a terra tem vida. De tempos em tempos precisamos contratar um engenheiro agrônomo para entender quais são as necessidades dela”, explicou.

Visando atender a clientela com segurança, a entrada na propriedade sem máscara é proibida. E, para garantir a salada na mesa dos consumidores fieis e que não podem sair de casa, o agricultor começou a fazer entregas em endereços vizinhos. Além das verduras, como alface e repolho, cujo pé custa a partir de R$ 2,50, ele também vende legumes provenientes de sítios do Interior.

Já José Maria Dias, 73, é responsável por parte da horta comunitária em terreno da Enel na Vila Vivaldi, em São Bernardo, há cinco anos. Desde o início da quarentena, as vendas diminuíram cerca de 50%. “Caiu bastante porque o pessoal não quer sair de casa, está com medo, mas quando passar e a doença estiver controlada, acredito que tudo voltará ao normal”, avaliou.

Dias aprendeu a trabalhar com a terra desde a infância, quando ajudava a família na roça, em Minas Gerais. Atualmente, o faturamento mensal de R$ 1.500, em média, complementa a aposentadoria. “Já fiz de tudo um pouco, fui porteiro, servente de pedreiro e gosto demais disso (da plantação). Se não conseguisse trabalhar, teria ficado até doente depois que me aposentei, porque a gente que trabalhou a vida toda não consegue ficar parado”, afirmou.

O produtor cuida sozinho da sua parte do terreno, onde planta alface, couve, almeirão e outras verduras orgânicas. A bacia com três pés de alface é vendida a R$ 3. “Aqui, é dividido em três pedaços de terra e eu fui o primeiro a chegar. Agradeço muito todos os dias por ter conseguido esse espaço”, concluiu.

Projeto quer ajudar agricultura familiar com compra para atender vulneráveis
Projeto de lei do deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), que tem base eleitoral em São Bernardo, propõe a criação de programa para aquisição de alimentos diretamente do pequeno produtor rural, visando atender pessoas em situação de vulnerabilidade social. Caso seja aprovada, a proposta vale enquanto o decreto de calamidade pública, publicado em 20 de março em razão da pandemia do novo coronavírus, estiver válido.

Segundo a proposta do petista, a prioridade é distribuir produtos agropecuários às pessoas em situação de rua, em ocupações, às mulheres chefe de família, em comunidades indígenas e às famílias com renda comprovada inferior a dois salários mínimos. O deputado defende a medida sob o argumento da redução de renda da população em razão da pandemia do novo coronavírus, além de dar “fôlego aos pequenos produtores rurais atingidos pela restrição às atividades econômicas” impostas pelo isolamento físico.

O projeto de lei 334 foi sugerido por Teixeira no início de maio e aguarda apreciação da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Se aprovado, permitirá que o Estado compre diretamente dos agricultores familiares ou empreendedores familiares rurais, sem a necessidade de licitação. O pagamento dos alimentos será por meio de recursos do tesouro estadual, seguindo os critérios previstos no PPA (Programa de Aquisição de Alimentos).

Demanda de horta cresceu por causa do desemprego
A horta comunitária do Jardim Sapopemba, em Diadema, mantida pela associação do bairro, tem a produção doada a moradores carentes do entorno há dois anos. Em razão do aumento do desemprego e redução de renda ocasionados pela pandemia, o cadastro para receber os alimentos foi de 80 para 750 famílias. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado na última semana, 2.242 postos de trabalho foram encerrados na cidade apenas em abril.

“A falta de alimentos não é de hoje, mas a pandemia agravou. São muitas pessoas que perderam o emprego, fecharam os comércios e motoristas de aplicativo que não podem trabalhar”, disse Maurício da Costa, 38 anos, presidente da Associação Amigos do Jardim Sapopemba.

A colheita é feita uma vez por mês, porém, depende do clima e de quais verduras e legumes estão plantados. A horta está instalada em terreno cedido pela Prefeitura, que presta suporte técnico na manutenção. “O terreno é pequeno, mas entendemos que temos que ser solidários na medida do possível”, afirmou Costa.

No dia a dia, seis pessoas da comunidade ajudam a cuidar da horta, onde o cultivo é “bem caseiro e orgânico”. Os vegetais plantados variam de acordo com as sementes ofertadas pela Prefeitura, onde 49 hortas, entre comunitárias, educacionais, ocupacionais e institucionais, beneficiam 6.553 pessoas.

Em São Bernardo, há 13 hortas comunitárias, beneficiando 150 produtores. Em Mauá e Ribeirão Pires, são 16 e 17 hortas escolares, respectivamente, onde os alunos participam do cultivo e a produção é dividida entre a comunidade escolar.

Categoria do Artigo:
Geral

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