set 15, 2020
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Trabalhadores votam nesta terça proposta negociada entre sindicatos e VW

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Os trabalhadores da Volks­wagen votam hoje (15) proposta costurada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelas demais entidades de representação dos funcionários da montadora no Brasil para redução de custos nas quatro plantas da empresa, situadas em São Bernardo, Taubaté (SP), São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR).

As negociações tiveram início há três semanas, quando a Volks manifestou a intenção de demitir 35% da mão de obra no país – o que representa 5.200 dos 15 mil funcionários – devido ao impacto sobre o setor automotivo da pandemia do novo coronavírus. Como a unidade do ABC emprega 8,5 mil pessoas, o corte pode significar 3 mil demissões.

Na planta da Anchieta, o acordo – que prevê a garantia de emprego por cinco anos – será votado em assembleia presencial às 14h, no pátio da fábrica.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, avaliou que, diante do cenário econômico atual e da intenção manifestada pela empresa, a garantia de estabilidade por longo período é positiva. O dirigente reforçou, porém, que caberá ao trabalhador avaliar e decidir se o conjunto de propostas é do seu interesse.

“A proposta garante o emprego, mas tem condicionantes e custos. Esperamos a presença maciça dos compa­nheiros, inclusive dos que estão afastados, em layoff (com contratos de trabalho suspensos), home office ou férias, para que possam votar e decidir”, afirmou Wagnão, que é trabalhador na Volks.

A proposta inclui a abertura de programa de demissões voluntárias (PDV), com oferta de até 20 salários a quem aderir e período de inscrição a ser definido, e possibilidade de segundo pe­ríodo de ins­crições, menos vantajoso.

No que se refere à data-base de 2020, a proposta prevê que a correção dos salários será convertida em abono de R$ 6 mil, a ser pago juntamente com a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também não será aplicado em 2021, até o limite de 3,5%, e 2022, até o limite acumulado nos dois anos de 5% – se a inflação for maior, a Volkswagen paga a diferença. A montadora só voltará a aplicar integralmente o INPC em 2024.

O PLR, por sua vez, terá va­lor fixo de R$ 12.800 neste ano. De 2021 a 2024, o montante será o do ano anterior acrescido da variação anual do INPC. Caso o número de veículos produzidos nas quatro plantas exceda 580 mil unidades no ano, as partes se comprome­teram a reavaliar as condições estabelecidas.

LAYOFF

A proposta estabelece ainda a possibilidade de utilização do layoff até o limite de dez meses. A remuneração dos trabalhadores com contrato suspenso será de 82,5% do salário líquido. Além disso, o pagamento do 13º salário e da PLR será calculado considerando a proporcionalidade de 70% para cada 1/12 avos do valor por mês ao longo dos cinco primeiros meses do período de afastamento. Do sexto ao décimo mês não haverá impacto no 13°salário e na PLR.

Prevê ainda o congelamento da progressão salarial por 12 meses para os trabalhadores horistas (diretos e indiretos) em todos os steps (degraus). Todos receberão o próximo step a que têm direito. A partir de então ocorre o congelamento de 12 meses para o próximo. Também será implementada nova tabela salarial horista com re­dução de 17% no teto das tabelas salariais vigentes. Esta condição será aplicada para os trabalhadores admitidos a partir de 1º de janeiro de 2021.

A proposta prevê ainda a produção “compartilhada” entre as fábricas de São Bernardo e Taubaté. Havendo aumento do volume fabricado, a empresa poderá adotar o 3º turno. Além disso, garante a exclusividade na planta Anchieta da produção da picape Saveiro e de sua sucessora, quando confirmada.

Categoria do Artigo:
São Bernardo do Campo

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