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mar 15, 2021
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Empresas do ABC veem desafio e oportunidades em ‘guinada’ no setor automotivo

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A guinada em curso no se­tor automotivo brasileiro, que passa a focar a oferta de mo­de­los mai­ores, mais caros e so­fisticados em detrimento de car­­­­ros me­nores e mais ba­ratos, impõe de­­­safios e abre oportunidades pa­ra os setores de autopeças e de máquinas e equipamentos.

A avaliação é de empresas do ABC que participaram, recentemente, de plenária virtual da re­gional de Diadema do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

A estratégia das montadoras visa privilegiar a rentabilidade ao invés do alto volume.  Reportagem publicada nes­ta semana pelo Estadãorevela que, dos 22 lançamentos já confirmados para este ano por fabricantes e importadores, 15 (68,2% do total) serão uti­litários esportivos. Em 2020, os SUVs representaram 32,6% das vendas de automó­veis no país, contra 7,5% em 2010.

Na mesma comparação, o segmento de hatches compactos caiu de 55,7% para 42,3%.

“Como as matrizes querem a distribuição de dividendos, as montadoras instaladas no país começaram a mudar seus pla­nos estratégicos e a ofe­re­cer produtos de maior valor agregado. A partir do momento em que a gente toma ciência de que o mercado mudou, o setor  de autopeças precisa ser muito rápido para fazer os ajustes em suas plantas”, afirmou Ig­ná­cio Marti­nez-Conde Bar­ra­­sa, di­retor cor­­porativo da Au­­to­­me­tal, indústria de au­to­pe­ças com unidade em Diadema.

O setor de autopeças encerrou o ano passado com queda de 17,5% no faturamento, pa­ra R$ 124,5 bilhões, segundo o Sindicato da Indústria de Com­ponentes para Veículos Au­to­motores (Sindipeças). Porém, os dois principais pilares do segmento tiveram desempenhos diferentes. Enquanto as vendas para o mercado de re­posição cresceram 1,4%, para as montadoras recuaram 24,2%.

Se, por um lado, as empresas do setor sofrem pressão das montadoras por ganhos de produtividade e, consequentemente, de preço, o segmento tem sofrido com o aumento de custos de matérias primas como alu­mínio, aço e plástico – os quais, se­gundo Bar­ra­­sa, são cada vez mais difíceis de repassar.

Para o executivo, as empresas do setor precisam intensificar ajustes de estrutura (ativos, mão de obra), definir claramente quais produtos têm rentabilida­de e implementar programas de melhoria contínua da qualidade e inovação. “Com isso, acho que a gente sobrevive”, disse.

A mudança na estratégia das montadoras também deve impactar, neste caso positivamente, o segmento de máquinas e equipamentos. Paulo Tonicelli, diretor presiden­te da Prensas Schu­ler, de Diadema, destacou que 75% das vendas da empresa são destinadas ao setor automotivo.

“Com essa reestruturação nas montadoras sur­­giram opor­tunidades de negócio no Canadá e nos Estados Unidos. Graças a esses mercados, temos destinado 70% de nossa produção para exportação”, afirmou Tonicelli.

Mesmo com a ociosidade no parque automotivo brasileiro em torno de 60%, o executivo projeta aumento da demanda no mercado interno em 2021. Porém, segundo Tonicelli, as encomendas não serão destinadas ao aumento da ca­paci­dade das montadoras, mas sim à automação, digitalização e à melhora da produtividade nas linhas de montagem.

Em 2020, o faturamento do setor de máquinas e equipamentos cresceu 5,1% no país, para R$ 144,52 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

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